Por João Batista Barbosa da Silva
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| João Batista Barbosa da Silva - Presidente Estadual do PT |
Decididamente o Pará é outro depois da realização do Plebiscito. Outra
realidade está evidenciada aumentando a responsabilidade dos que têm nas mãos o
destino do povo paraense.
O sentimento expressado nas urnas indica que é chegado o momento de
estabelecer e concretizar um projeto de desenvolvimento que atenda
definitivamente aos anseios dos moradores dos quatro cantos desse imenso estado.
As populações das regiões mais distantes acenaram para a urgente mudança de
paradigmas até então instalados no Pará.
O Partido dos Trabalhadores, diante do atual contexto e sempre lutando para a
melhoria da qualidade de vida do povo, coloca-se a disposição para contribuir
nesse novo momento histórico do Pará. Neste sentido, propõe uma conjugação de
esforços para a construção do projeto de desenvolvimento democrático e
sustentável verdadeiramente necessário para o estado e tão almejado pela
população paraense.
Um projeto de desenvolvimento que considere principalmente a dimensão
geográfica do estado no atendimento igualitário das demandas da população e onde
as riquezas naturais existentes possam estar a serviço do povo paraense. Só em
Carajás por exemplo, está a maior mina de ferro do mundo, além de outras
inúmeras riquezas existentes e o tapajós, por estar no centro da Amazônia é a
região geograficamente estratégica para o Brasil e para o Mundo.
A consolidação do projeto de desenvolvimento no nível aqui proposto é
concretizada quando há inclusão social, econômica, política e cultural,
perpassando pela implementação real de políticas públicas para atendimento digno
das necessidades das pessoas. O plebiscito revelou que esse desejo de inclusão é
premente.
A população paraense não agüenta mais ser vitima das falsas promessas
repercutidas pelo governo tucano, que como de costume faz uso desmesuradamente
da publicidade oficial para mostrar um Pará inexistente. Há uma larga distância
entre o Pará real e o Pará virtual mostrado pelos tucanos. O povo já conhece e
não aceita mais essa prática. E ao contrário da propaganda apresentada pelos
tucanos, o Pará vive um dos piores momentos da sua história, principalmente em
três aspectos primordiais ao povo, sendo eles: segurança pública, educação e
saúde.
A onda de violência impera nas diversas regiões. O Pará se destaca como tendo
cidades mais violentas do país. Belém e região metropolitana vivem um momento de
assassinatos em série que estão amedrontando a população, como os que ocorreram
em Santa Izabel, Guamá e Icoaraci. O número de assaltos a bancos nos municípios
aumentou muito nos últimos meses, subindo para mais de 60%, de acordo com o
Sindicato dos Bancários. A insegurança no meio rural é gritante, em menos de um
ano 10 lideranças rurais foram assassinadas. Em termos de saúde pública o povo
padece em filas ou em espera para atendimento, sendo obrigado a se deslocar por
longas distâncias; junto com isso a situação precária dos estabelecimentos de
saúde. Na educação não é diferente e, não temos dúvida, que a juventude foi a
principal prejudicada por causa da intransigência do governo estadual em
perdurar por 56 dias a greve dos professores das escolas públicas.
Um ano depois de assumido, o governo estadual ainda tenta montar as peças no
tabuleiro para administrar o estado, enquanto isso a população vai esperando e
sofrendo. Um dos maiores desgastes da administração tucana no Pará aconteceu
durante a realização do plebiscito, quando o governo estadual desconsiderou por
completo o desejo de mudança das populações das duas regiões envolvidas no
processo de divisão do estado, ficando evidenciado na ocasião o sentimento de
revolta em decorrência do abandono e a ausência de políticas públicas para essas
populações que vivem mais distantes da capital paraense.
O governo do PT no Pará considerando as dimensões geográficas do estado e
como forma de reduzir as desigualdades regionais viabilizou um mecanismo de
gestão diferenciado e implantou as 12 regiões de integração, definidas a partir
do grau de acessibilidade, dinâmica econômica, ocupação populacional e o nível
de acesso a equipamentos básicos e conectividade. O atual governo decidiu por
não seguir essa proposta de regionalização, muito embora tenha sido aprovada
pela Assembléia Legislativa.
O PT ainda dinamizou a atuação no estado do Pará através do trabalho
desenvolvido pelo governo Federal, presente nas mais diversas ações, quer em
termos de infraestrutura básica, saneamento, saúde, moradia. Melhorar a condição
de vida nas cidades brasileiras é a meta trilhada por nosso governo em nível
federal, por intermédio de programas como o PAC, Minha Casa Minha Vida,
ampliação das ações do Pronasci, expansão da educação profissional, através da
construção de novos institutos tecnológicos, pavimentação das BRs transamazônica
e Santarém|cuiabá, hidrovia Araguaia|Tocantins, hidrelétrica de belo monte,
entre outros trabalhos realizados no Pará pelo governo do PT.
Nossa visão de governo é prestar o serviço de qualidade que o povo merece e
tem direito, ao contrário do governo tucano que cria uma suposta realidade para
exibir na publicidade oficial. Os fatos, no entanto, comprovam uma outra
realidade.
Diante de tantos desgastes, o atual governo resolveu criar medidas para taxar
e fiscalizar o setor de mineração. O aproveitamento das nossas riquezas naturais
exige medidas permanentes que levem ao verdadeiro desenvolvimento democrático e
sustentável, com geração de emprego e renda, como por exemplo: implantação de
siderúrgica para verticalizar a cadeia mineral de ferro no Pará.
Ratificamos aqui, portanto, nosso compromisso em contribuir nessa nova etapa
da história do Pará. O novo ano é o momento de renovação das esperanças e de
concretização de agendas que fortalecerão nosso compromisso, por esse motivo o
encontro do Diretório Estadual do PT que acontecerá em fevereiro, será em
Santarém, quando aprovaremos a partir daí um diagnóstico mínimo da nossa
plataforma política para as eleições de 2012.
Por fim, reafirmamos nosso papel de oposição ao projeto realizado pelos
tucanos no estado do Pará, marcado pelo atraso social e político, que insiste em
trazer de volta um sistema que desrespeita totalmente o direito do povo a
serviços essenciais, com as privatizações que constituem-se atraso na vida do
cidadão. Não há dúvida de que o modelo tucano já está superado no Brasil.
Conclamamos, desta forma, todos os dirigentes petistas, dirigentes dos
partidos irmãos e toda a sociedade a fazermos do processo das eleições de 2012,
espaço de elaboração, discussão e aperfeiçoamento do projeto de desenvolvimento
democrático e sustentável considerando, que todos os paraenses indistintamente,
precisam desfrutar dignamente do que têm direito.
João Batista Barbosa da Silva é presidente do PT Pará